O pedido de responsabilização considera que a arma usada no crime, uma pistola calibre .380, e o carro dirigido pelo suspeito são de propriedade da delegada. “Para assegurar eventual ressarcimento aos familiares da vítima, o Ministério Público de Minas Gerais requereu à Justiça a indisponibilidade dos bens do empresário, suspeito de matar o gari Laudemir de Souza Fagundes, e da esposa”, informou o MPMG nesta manhã. O pedido é assinado pelo promotor Guilherme de Sá Meneghi.
Em parecer anexado aos autos do processo, o MPMG requereu o bloqueio de até R$ 3 milhões, “com preferência para dinheiro em espécie ou depositado em qualquer modalidade de instituição e aplicação financeira”. Na visão do MPMG, a medida deve atingir também a esposa do suspeito, por entender que, como dona da arma de fogo usada no crime, ela responde solidariamente pelo caso.
O pedido inicial partiu da defesa da vítima. No parecer enviado à Justiça, o MPMG entendeu que o padrão de vida exposto pelo casal nas redes sociais e as trajetórias profissionais de ambos “fazem presumir a capacidade financeira para arcar com uma vultuosa quantia indenizatória”. O pedido leva em conta o risco de que, com a repercussão do caso na sociedade, o casal possa desviar parte do patrimônio, lesando o interesse legítimo dos familiares da vítima.
Empresário confessou o crime
Na manhã desta terça-feira (19/8), a Polícia Civil (PCMG) afirmou que o empresário confessou o crime durante novo interrogatório no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), realizado na segunda-feira (18/8). No depoimento, o empresário alegou que efetuou o disparo durante uma discussão de trânsito.
Renê também garantiu que a delegada Ana Paula não tinha conhecimento de que ele havia se apoderado de sua arma particular, uma pistola calibre .380. Exames periciais confirmaram, na sexta-feira (15/8), que a arma - de uso particular da delegada Ana Paula, sem relação com o armamento fornecido pela corporação - apreendida na casa do casal era a mesma utilizada para matar o gari.
Veja o que se sabe sobre a confusão de trânsito que acabou com a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes
O crime
Na manhã de segunda-feira (11/8), por volta das 9h, houve uma confusão no trânsito no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando um carro BYD cinza, vindo na direção contrária, se aproximou. O motorista do carro — apontado como o suspeito — teria sacado uma arma e ameaçado a condutora do caminhão, dizendo que “iria atirar na cara” dela. Logo depois, ele teria atirado contra o gari Laudemir de Souza Fernandes, que estava trabalhando na coleta.